Jogos Educativos
Abril 3, 2008
Muito já foi dito e ainda será dito sobre jogos educativos. Eu já li discussões em Fóruns (muitas vezes bem calorosas), opiniões bizarras e já fui até em palestras sobre o assunto. O que eu quero aqui é expressar a minha opinião e você não precisa concordar comigo (e não deve!) mas como é interessante conhecer a opinião dos outros para as vezes complementar a sua ou até mudar, decidi fala tudo que eu já vivi nessa área tao controversa.
Primeiramente, devo dizer que tanto a Nintendo como a Sony e a Microsoft fizeram ótimos consoles e estão de parabéns, porém, o PlayStation e o Xbox são videogames baseados em “hardcore players“, ou seja, aqueles jogadores que preferem comprar 200 jogos e zerar todos ou ficar meses travado em jogos como Final Fantasy, já a Nintendo (principalmente com seus videogames Wii e Nintendo DS) se aproxima muito do que eu quero mostrar aqui. Portanto, não se sinta ofendido caso você não goste da Nintendo.
Antes de começar a falar de jogos educativos, quero diferencia-los de “jogos teletubbies“.
- Jogo educativo: É todo jogo capaz de acrescentar algo de diferente à vida da pessoa (que não seja tendinite, olheiras e notas baixas). Não se parece com nenhuma aula que você já teve mas pode ajudar no seu reflexo, raciocínio, memória ou até conhecimentos gerais.
- Jogo “teletubbie“: O que as pessoas costumam chamar de “jogo educativo”. Possui balõezinhos rosas que você deve estourar com bexigas d’água para acertar uma determinada soma. Quando você acerta um ser repugnante aparece e fala “uiiiiiii“
Agora que eu já diferenciei os dois, podemos começar. Um bom jogo educativo deve primeiramente agradar a você. Se você jogar e for capaz de dizer: “ahaa gostei, eu jogaria isso” então você está perto da fórmula. Outro ponto importante é que esses jogos não podem ter como enfoque a violência ou sexo. Depois de você jogar e gostar, deve analisar se aquilo treina alguma coisa em você e se o jogo vai aumentando a dificuldade de forma que você possa melhorar essa técnica. Agora vamos a alguns conceitos e curiosidades.
Algumas palavras sobre engenharia de software: Antes de começar a “adivinhar” o que você deve fazer, uma boa idéia é entrevistar seu público alvo. Escreva no papel algumas idéias que você teve sobre algum jogo que poderia ser interessante e veja se vai agradar esse público. Às vezes o que agrada você e seus amigos pode não agradar uma criança de 10 anos ou ainda agrada meninos de 10 anos mas as meninas odeiam. Pense bastante em jogos (eletrônicos ou não) que agradam ambos os sexos, exemplo: queimada, pega pega, damas, mario party, ragnarök, etc e analise quais as características de cada um. Queimada e pega pega possuem “competitividade” e “adrenalina”, já que você deve correr dos outros, desviar de bolas, etc. Damas inclui bastante raciocínio mas é um jogo simples e rápido. Você não precisa ficar horas e horas jogando. Mario party você joga com os amigos alguns mini jogos e vai andando por um “tabuleiro”. Ragnarök dá a possibilidade de casamento e uma boa personalização da aparência do personagem e para os meninos principalmente a possibilidade de builds diferentes dos demais. Então seu jogo deve englobar essas características importantes de cada jogo para ninguém ficar de fora!
Pensando sobre o que você quer treinar: O que você quer treinar? raciocínio? então esqueça o resto e se concentre apenas em raciocínio. Seu jogo não precisa ser de tabuleiro mas deve emprestar algumas idéias de jogos de tabuleiros para ser um bom jogo de raciocínio (exemplo, jogos de estratégia).
Definindo os personagens: Hoje em dia, as crianças estão muito “moderninhas” e portanto não vai funcionar um jogo com personagens “gays” ou “fofos” e caso seu público alvo inclua o sexo feminino não adianta colocar uma mulher bonita. Dependendo da idade de seu público, se preocupe caso seu monstro seja assustador demais.
Tipo de jogo: Tente não fazer jogos sobre algum esporte que pode ser praticado fora de casa. Seu jogo é educativo lembra? Não prenda as crianças dentro de suas casas sendo que elas poderiam estar fora praticando um esporte. Jogos colaborativos são sempre uma boa idéia.
Lembre-se, tem que ser LEGAL. Como eu já disse antes, um bom jogo educativo deve ser legal. Em uma mesa redonda que eu participei o ano passado (sobre jogos educativos), uma pesquisadora da USP estava contando das experiências com escolas públicas e o XO (”OLPC – one laptop per child”). Em uma das escolas, a idéia “brilhante” da professora era usar o laptop para passar redações a limpo… “meu, num rola!” esquece isso. Passar redações a limpo não é legal!
“Ah legal! Então por que não fazemos…”: Calma, antes de deixar a criatividade falar mais alto, tente implementar jogos já conhecidos como o Genius. Uma boa idéia seria poder colocar mais notas musicais e a pessoa poder escolher tanto a cor como a nota. Assim uma cor nunca poderá ser associada a uma nota especifíca.
Por enquanto é só. Breve o jogo Genius implementado =D
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